quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ano novo, vida (pra lá de) nova...


Luca começou 2012 – e o seu oitavo mês de vida – pra lá de agitado. Bem, é preciso admitir que o ano começou agitado também. Retornamos de uma viagem de férias bastante longa – foram 15 dias viajando por dois países e 3 cidades diferentes – que terminou com meu retorno imediato ao trabalho. Acho que ele nem tinha processado tanta novidade e bum!, já ficou sem a mamãe. Apesar de tê-lo deixado sob os cuidados do pai, não foi um dia muito fácil. Além de estar exausto, fico imaginando o que se passou por aquela cabecinha ao não conseguir me achar no seu campo de visão por tantas horas.

Edu, lá pelas tantas, me pediu pra voltar pra casa e, assim que consegui me liberar, fui correndo, claro. Quando chego, vejo dois meninos com cara de cachorro abandonado, e fiquei até sem saber quem eu consolava primeiro... Felizmente a química entre eles é muito boa, e as coisas só melhoraram nos dias seguintes.

Sim, nos dias. Porque as noites, nessas primeiras semanas, foram horríveis, com Luca acordando de duas em duas horas, querendo a mãe e nada mais. Tem hora que nem mamar ele quer. E se é o Edu quem vai, ele fica tão bravo, que depois fica ainda mais difícil fazê-lo dormir... Mas tem hora que eu não aguento, e é ele quem vai, não importa o que vem depois.

Apesar do cansaço e do desejo de poder dormir uma noite inteira novamente – 6 horas estaria pra lá de bom -, o mais importante é que ele fique bem com todas essas mudanças. Estaria mentindo se dissesse que tudo isso não mexeu com meus instintos mais profundos, me fazendo perguntar se estou fazendo a coisa certa deixando-o aos cuidados de outros ainda tão pequeno. Voltar ao trabalho está sendo ótimo, sinto-me num momento extremamente produtivo e favorável do ponto de vista profissional. Mas é claro que a felicidade dele está em primeiro lugar, e os primeiros dias longe dele têm suscitado nada mais do que dúvidas sobre minhas escolhas.


Felizmente, os dias que se seguiram trouxeram melhores perspectivas e ele parece ter entendido que a mãe vai, mas volta. As noites melhoraram um pouco, e ele até aceita, de vez em quando, ser ninado pelo Edu quando acorda de madrugada. Na semana que passou com a avó paterna, a maior surpresa: consegui passar o dia inteiro fora (antes estava indo almoçar em casa todo dia), e eles dois se deram super bem; até o padrão de alimentação de mininu se alterou, e ele se revelou um belo comilão. Já deu pra entender que ele tem suas preferências (peitinho!), mas que não se aperta na hora de fome... Sabido esse gordito...

Na metade do mês, algo com que eu não contava que fosse acontecer, aconteceu: anteciparam o período de adaptação dele na creche, previsto para a segunda semana de fevereiro. Assim, fechamos o mês já frequentando esse novo espaço e, para minha grata surpresa, Luca está indo muito bem, obrigado. Circula com desenvoltura pela sala, fez amizade com as educadoras logo no primeiro dia (o fato delas terem se apaixonado por ele eu acho que ajudou bastante...) e não chorou nenhuma vez... Nossa esperança – minha e de Edu – é que com a nova rotina se estabelecendo, ele passe a dormir melhor... e nos deixe dormir também.

Para além dessa grande mudança na vida de nosso personagem, Boluca experimentou grandes avanços: ele, que já ficava em pé se apoiando em qualquer coisa que visse pela frente, tem feito progressos promissores na conquista de equilíbrio sobre duas pernas. Parece difícil acreditar que um guri, no seu oitavo mês de vida, consiga se equilibrar sozinho, mas é a mais pura verdade.

Sentado em seu cantinho, ele apóia as mãos no chão, eleva o quadril e, na sequencia, o tronco. De pé, com as pernas afastadas, fica olhando algo ao seu redor para abaixar e pegar. Se não consegue, cai de bunda e logo começa tudo de novo. Se consegue, ah, é um grito de alegria que ele solta! Sabe que está progredindo e adora essa nova mobilidade, ampliando cada vez mais seu raio de explorador. Já consegue chegar no meio da cozinha sozinho, engatinha até embaixo da mesa, e em direção aos quartos e banheiro. A cozinha, ambiente pra lá de perigoso pra crianças, já foi palco de algumas quedas mais fortes. Mas nada que tenha deixado machucados, só o susto mesmo.

Mas por essas e outras que já estamos na contagem regressiva para tomar a decisão de por ou não um daqueles cercadinhos na porta da cozinha, de longe o ambiente que oferece mais perigo para ele... E, por mais que lhe apresentemos brinquedos coloridos, bonitinhos, educativos e estimulantes, ele continua preferindo controles remotos, telefones, computadores – e seus fios... Mas esses são os brinquedos proibidos, que ele nem chega a sentir o gosto. E, apesar das inúmeras tentativas de dar o bote, não reclama. Acho que já entendeu...

Agora, se acabamos com sua farra sobre duas pernas(porque ele está apoiado em algum lugar que, se perder o equilíbrio, vai se machucar), ele, do alto de seus 70 cm e 10 kg, logo começa sua performance: gritos de protesto, o corpo arqueado pra trás, recusa-se a sentar ou mesmo ficar no colo. Quer ficar de pé, escalar os móveis, lamber as paredes e as dobradiças das portas. O protesto também vale para quando temos que deitá-lo no trocador para trocar a fralda – quem acompanha essa saga sabe que isso vem de outros carnavais – ou então depois do banho. A tática é ter sempre um brinquedinho à mão para distrai-lo ou uma musiquinha com sons engraçados, coisas que costumam funcionar. A questão é não ficar parado.

A comilança também continua de vento em popa. Cada dia mais variada, embora às vezes eu ache que ele come pouco. Deve ser coisa de mãe isso, porque peso ele está ganhando... Procuro me manter  firme no entendimento de que até os dois anos, estamos falando em introdução alimentar. E, ademais, como não pretendo desmamá-lo antes que ele complete um ano, não há muito com o que se preocupar. Minha produção de leite se ajustou rapidamente na volta ao trabalho. Nada de vazamento, nada de seios inchados e doloridos. Na medida certa para o meu filhote e suas necessidades.

Seu repertório de nenezês continua aumentando em progressões geométricas. O mais bacana disso – os céticos vão achar que é corujice pura – é que às vezes dá pra entender as associações que ele quer fazer com os sons que emite. Ele parece entender quando estamos conversando com ele sobre um assunto qualquer e balbucia algo que sinaliza que está prestando atenção na conversa. Varia cada vez mais as sílabas que pronuncia, e segue imitando os sons que fazemos pra ele com a boca. Desconfio que ele já entendeu algumas coisas que não pode fazer, menos pelo “não” e mais pelo tom de voz que utilizamos. Por que eu acho isso? Porque tem horas que eu simplesmente tenho certeza que ele está se fazendo de desentendido quando eu chamo...

Luca já entendeu que a gente gosta de brincar com ele, e ele também curte, e chama a gente pra farra. Sabe pedir colo (é só se jogar em direção a pessoa desejada) e sabe que é beijado. Aí, de vez em quando aproxima a boca do nosso rosto pra fazer algo parecido, que ele não sabe muito bem o que... mas que é legal e ele quer fazer também. E aí, se prepara, porque lá vem baba...

Falando em baba, nada de dentes ainda. Com dois meses todo mundo que olhava pra ele dizia que ele babava e coçava a gengiva porque lá vinha dente. Bobagem pura. Ele fazia essas coisas porque isso coisas de neném fazer, oras... Agora a baba diminuiu, mas de vez em quando eu pego ele coçando a gengiva com a língua, muito engraçado... Mas nada de febre, irritação, diarreia, entre outros sintomas que ouço dos pais com filhos “dentados”... Então, ainda estamos para conferir aquela boquinha cheia de língua e gengiva ganhar uns toquinhos brancos em forma de mentex...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mininu Erectus

O sétimo mês de Boluca começou movimentado. O primeiro prejudicado, claro, foi o sono... Depois de uns dias dormindo bem, mininu voltou a acordar pelo menos duas vezes de noite, querendo mamar... Mas, depois que iniciamos a alimentação, e considerando o tempo que ele leva mamando antes de adormecer, eu e Edu estamos desconfiados que esses despertares tem menos a ver com fome e mais com vontade de um aconchego, uma companhia, e também com o fato de que não é sempre que ele consegue adormecer sozinho novamente. E quando isso acontece, ele nos chama.

Tenho tentado decifrar seus gemidos noturnos, para não levantar sem necessidade, ou mesmo despertá-lo sem intenção. E foram várias as vezes que ele acordou, começou a gemer e em poucos minutos o silêncio se fez novamente. Ou seja, mininu consegue dormir sozinho, mas ainda não sabe bem disso.

Mas, pra variar, a questão do sono está diretamente relacionada com as novas descobertas. Luca cada dia mais conquista autonomia para se locomover, buscar as coisas que são do seu interesse, demonstrar os seus desejos. Além de ter  definitivamente aprendido a engatinhar, neném já se senta sozinho com habilidade, vai em busca dos brinquedos que lhe interessam no amplo espaço que montamos pra ele com tatamis de borracha, deixa claro quando quer ficar no colo e quando não quer (e gosta mais do chão, acreditem). 

Ademais, começou o mês tentando ficar de pé, e terminou se escorando onde dá, arriscando soltar a mão por alguns segundos e até se erguendo e se sustentando sozinho. A pediatra pediu pra não incentivar, e aqui em casa ninguém estimula, mas mininu faz sozinho e reclama quando o tiramos da posição erectus. Só nos restou comprar cantoneiras para as quinas dos móveis e baixar o berço até o fim, mandando o tatu pro seu buraco. 

Outra grande novidade do mês foi a introdução de novos alimentos. É uma grande mudança, pra ele e pra mim, já que agora não basta tirar os peitos pra fora para alimentar meu gordinho. É preciso escolher os alimentos, lavar, preparar, conservar e... limpar a bagunça após cada refeição... Nos primeiros dias, cada vez que ia comer, Luca aproveitava para hidratar a pele do rosto, das mãos, o cabelo... Isso já melhorou bastante, mas é claro que o babador não pode ser dispensado... Ele já come legumes e frutas, e já não pede peito logo depois da refeição, mas continua mamando bastante. Eu também não passei a regular mamadas por conta da alimentação sólida. Aliás, até ele completar um ano, vai mamar sempre que quiser.

No mais, Luca cada dia mais nos mostra um pouco do seu temperamento: esse mês decidiu que não quer que troquem sua fralda nem sua roupa, muito menos se estiver com fome ou sono, ou os dois. É uma gritaria desproporcional ao tamanho do guri, um protesto mesmo! Pelo menos já sabemos que sabe reivindicar. Tem futuro na militância o Bolota. Aí quando a gente vê que a agonia é demais, cedemos e trocamos num outro momento – exceto após o banho, que ele está como veio ao mundo... Mas na maior parte das vezes, uma gracinha, uma música e uma fralda limpa para ele brincar tem resolvido o problema.

Lições de nenenzês: a missão? o retorno?, já não sei mais, pois cada mês é uma novidade. Agora Boluca já está começando a articular algumas sílabas, tipo dédédé, nhanhanha e... mãmãmã! O pai ficou louco de ciúmes, disse que não tinha nada a ver com mamãe, e no começo parecia mais uma reclamação genérica, depois passou a estar mais claramente relacionado com o peito. Mas me parece que ele identifica o som com a minha presença ou mesmo a do Edu. E, no fim, agregou ao seu repertório um outro som: bábábá, que me parece uma tentativa de pápápá. A conferir nos próximos capítulos dessa saga...

Esse mês, como no passado, fizemos outra grande viagem, mas dessa vez a família toda: Boluca, eu e Edu passamos 15 dias viajando por Argentina e Uruguai, visitando 3 cidades diferentes e marcando a passagem de ano de frente pro mar. Nem preciso dizer que pra mininu não faltou novidade – às vezes até demais pra cabecinha dele processar na mesma velocidade... A cada mudança de base, ele também estranhava um pouco, incluindo a volta pra casa... esses eram dias que demandavam mais paciência e compreensão com o bichinho, que sente mais que a gente cada pequena alteração na rotina. Mas ele se saiu muito bem e se revelou um ótimo companheiro de viagem, e fazia amigos por cada lugar que passava – quando estava acordado, é claro... Só dispensava nos acompanhar numa cerveja e numa farra noturna, e nós, solidários, cedíamos ao seu desejo, hehehe...

Luca seguiu com seus hábitos mais ou menos organizados, incluindo as sonecas diurnas e a alimentação, além das conquistas diárias, parte do seu desenvolvimento. Na verdade acho que pra ele tanto faz onde ele vai estar, basta ter o peitinho, a mamãe e o papai, que ta tudo certo. Mas a parte logísitica da viagem teve que ser toda pensada em função dele. Por exemplo, tivemos que buscar hotéis com estrutura de cozinha no próprio quarto, para viabilizar a comidinha dele, e devo dizer que foi a melhor decisão que tomamos, porque durante alguns dias que isso ficou meio atrapalhado e ele se alimentou exclusivamente de papinhas industrializadas, a coisa não rolou legal, e o guri ficou o intestino bem incomodado, tadinho... Descobri que a lenda de que todo bebê AMA papinha Nestlé não é exatamente verdadeira...

Em Buenos Aires, me recomendaram fortemente que visitasse o zoológico, que se tratava de um passeio super interessante, com o qual me animei na hora, certa de que Luca, já tão atento ao que acontece à sua volta, iria adorar os animais... Mas o sol estava tão forte, o dia tão quente, que o guri ficou num mau-humor horroroso, só queria ficar no colo e não tava nem aí pros bichos. Quando olhava pra algum deles, era com desprezo. E quando comecei a ver vários pais carregando crianças bem maiores que Luca no colo, que estavam cansadas e reclamando, entendi que o problema não era meu filho... Bem, mas pra quem possa interessar, sim, o zoológico de Buenos Aires é um passeio super bacana e, apesar de estar meio abandonado no que tange à conservação das estruturas, vale a visita.

Fizemos uma passagem por Montevideo, por menos dias que gostaria, e num período meio complicado para passeios, pois passamos a véspera de natal e o natal por lá. Os uruguaios são loucos com fogos de artifício, soltam no meio da rua, sem qualquer preocupação com a segurança. Ao que parece, na Argentina também, porque tivemos notícias de muitos feridos na noite do dia 24 por lá... Nós passamos a noite dentro do hotel, compramos um vinho e um queijo pra brindar a data, que pra nós tem um significado mais especial, por conta da nossa história como casal. Tentei várias vezes por Luca pra dormir, mas acho que ele sacou que aquela não era uma noite como as outras, e ficou ligadão até perto de meia-noite, quando finalmente se rendeu. A fogueteria começou, mas ele nem tchum. Diferente do ano novo, que ele atravessou com a gente e ficou vidrado nos fogos explodindo sobre o mar, na lindíssima cidade de Piriápolis, também no Uruguai. E, para nossa surpresa, sequer se assustou com o barulho. Foi uma passagem de ano pra lá de especial, a primeira de Luca, a primeira em família.

Piriápolis fica no litoral uruguaio, no caminho para Punta Del Este. Fomos pra lá por ser um lugar mais calmo que Punta, para que pudéssemos ficar perto do mar e pegar uma praia com Luca. De minha parte, eu estava muito a fim de uma praia, pois depois que mudei da Bahia, não tinha mais pisado na areia. De outro lado, queria muito que ele visse o mar, queria ver sua reação. E foi muito bacana. O mar é bem frio, bem frio mesmo, mas com muito sol e céu muito limpo, que dá até pra encarar um mergulho. Claro que foi o que eu fiz, assim que pisei na areia.

Ir à praia com um bebê, no entanto, é tarefa que dá uma certa preguiça. Nem tanto pela tralha toda – protetor solar, chapéu, brinquedos, uma piscina inflável etc. – mas mais pela falta de controle do guri. Estendemos duas cangas grandes embaixo de um guarda sol, Edu encarou o mar frio pra encher a piscina e deixar a água esquentando um pouco no sol, besuntamos mininu com bloqueador solar, metemo-lhe um chapéu e uma fralda para água e colocamos o guri na canga rodeado de brinquedos. Mininu olhou um, pos outro na boca, bateu palminhas (ah, essa foi a outra novidade do mês!), deu risada das nossas palhaçadas para entretê-lo e... descobriu a areia. Não preciso dizer que bebês descobrem o mundo pela boca né? Luca queria saber o gosto da areia, é claro...

E se fosse só saber o gosto, ainda tava de boa, o problema era meter a mãozona no olho, porque aí ia doer. Bem, mas não deu pra deixar de dar risada com a cena, até que aquilo ficou estressante demais, e levei ele pra ver o mar de pertinho. Foi uma reação curiosa: ele olhou, fez uma carinha de medo com as ondas batendo (e olha que o mar era bem calmo) e se agarrava no meu colo... depois eu fiquei fazendo o movimento das ondas com ele, o barulhinho da água, até que agachei pra ele ver mais de perto. Num outro dia, botei ele de pé na areia e deixei a água bater no pezinho dele. E ele adorou, foi um barato. Depois, ficou olhando com a maior atenção o mar, quase hipnotizado por aquele movimento incansável das ondas, que tanto me fascina também... filho de peixe... foi muito lindo.

Bem, mas essa viagem também foi o desfecho para o encerramento da licença maternidade, que durou 7 meses no total (6 meses de licença, emendados com um de férias) e foi curtida intensamente a cada dia. A narrativa do próximo mês já trará um novo elemento, o da separação para o meu retorno ao trabalho. Mas minhas perspectivas são muito boas. Depois de muita reflexão, decidi não sofrer por antecipação, e encarar o momento como parte da nossa vida familiar, e como uma experiência que pode ser muito positiva para todos nós. Sei que ele vai entender que não só preciso como quero voltar a trabalhar, mas que o foco continuará nele, e que estarei com ele todo o tempo que não estiver em serviço. Aproveitamos muito esses meses juntos, criamos e fortalecemos nossa díade, estando prontos para enfrentar novos desafios e viver novas aventuras.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Boluca vai alhures

(O mensário de novembro está sendo publicado com antecedência pela peculiaridade dos acontecimentos desse mês, passado quase inteiramente fora de nossa casa, em Brasília. No próximo, atualizo aquilo que for relevante desses últimos dias do sexto mês...)

No sexto mês, o que não faltou foi novidade na vida de Boluca. A começar pela primeira viagem de avião, as primeiras noites fora de casa e a primeira grande (e esperamos que última!) temporada sem papai por perto... Da viagem de avião não temos fotos para mostrar, não por falta de vontade, mas é que nosso personagem simplesmente chapou o cabeção no colo da mamãe na ida E na volta, acordando pra só mamar quando estávamos prestes a aterrisar... Mas tudo bem, no mês que vem tem mais viagem de avião, quem sabe ele não colabora bastante e dá até um sorrisinho pra câmera?

Sim, porque em 20 dias em São Paulo, na casa da vovó Beth e vovô João, dá pra contar nos dedos quantas vezes Luca deu uma risada gostosa pra câmera. É só ligar a dita cuja, que mininu trava a boca e arregala os olhos, já esticando as mãozinhas pra tentar pegar o objeto. Mas até que rendeu boas imagens essa viagem...

Logo que instalados, botamos Luca no chão para brincar um pouco e ele não demorou a mostrar suas habilidades recem adquiridas para os avós, rolando com desenvoltura sobre o tapete improvisado na sala, fazendo abdominal (pra tentar sentar sozinho), ficando sentado quando colocado nessa posição, empinando a bunda e... tentando engatinhar. Essa era nova até pra mim, porque em casa ele ainda estava no esquema se arrastando pra trás...

E mininu encasquetou com esses 5 movimentos/posições diferentes durante todos os dias que passamos lá, dia e noite, literalmente. Literalmente porque ele passou as madrugadas acordando de hora em hora para praticar, e claro, queria mamar depois de tanta malhação. Eu achava um barato, mas o duro é que não tinha Edu pra dar uma força quando eu já estava pedindo arrego... Era mamãe e mamãe. Quem leu as aventuras do quarto mês já sabe como eu fiquei...


Mas o progresso dele nesses dias todos foi incrível: já consegue se arrastar em direção a um objeto, rola bem pros dois lados, fica em posição de gatinho e tenta deslocar os pés, dela consegue se sentar, ainda que mantendo um braço apoiado no chão (na primeira noite em Brasília ele sentou completamente sozinho, duas vezes, mas ninguém  viu... hahaha... danadinho fazendo as coisas escondido da mamãe e do papai...), consegue abaixar e erguer o tronco sozinho quando está sentado, pega os objetos que lhe interessam, e come os pés com desenvoltura, enfiando 4 dedos de uma vez só na boca. Chegou em SP um neném e saiu praticamente outro.

Bom, a viagem não foi só malhação: nós passeamos, e muito. Eu, que andava reclamando das péssimas e inacessíveis (quando não inexistentes) calçadas de Brasília, mal sabia que estava cuspindo para o alto... São Paulo é simplesmente impossível passear de carrinho com tranquilidade. As calçadas não tem padrão, são cheias de buraco e cheias, cheias de gente... Uma loucura. Mas Luca é bonzinho, curte o carrinho, curte dormir nele, então muito pouco reclamou... Assim, andamos pelo bairro onde meus pais moram, de manhã e à tarde, todos os dias, para respirar um pouco de ar (cof, cof) puro da Paulicéia... E  fomos parar até na Av. Paulista, onde éramos literalmente o único trio mãe-filho- carrinho circulando... Frisson total, hahaha...

Pra além desses passeios, Luca conheceu muita gente nova. Amigos e amigas queridas, de longa data, com filhos ou sem, primos e primas, fato é que deu pra matar a saudade de muita gente e colocar Luca um pouco em contato com outras crianças, e foi muito divertido. Algumas ele estranhou, como a filha de um ano e meio de uma super amiga, e estamos torcendo pra daqui um ano, quando os dois estiverem mais “de igual pra igual”, a coisa se harmonizar um pouco mais, hehehe. Com os priminhos, por outro lado, foi farra pura. Luca é o mais novo dessa nova geração de primos do lado da família do meu pai, desbancando a antiga caçula, um linda garotinha de 3 anos, com quem ele mais brincou. Mas ele virou praticamente o mascote da  criançada e eu, que tive medo dele estranhar crianças maiores, que às vezes podem ser uns demônios, rsrs, foi só sorrisos com a molecada. Uma delícia.

Pra matar a saudades do marido-papai, que estava muito longe, tínhamos o skype. A conexão não era lá essas coisas, nem Luca conseguia ficar muito tempo na frente do computador sem tentar destruir o teclado ou desligar a máquina (como de fato fez um dia, cortando toda a comunicação com Edu...), mas era um barato perceber que ele reconhecia o pai na fisionomia, nos barulhinhos, na voz... bonito de ver esse elo de tanto amor.

Lições de nenenzês, a missão: nosso guri anda variando os sons emitidos, e tem, sim, dias calados, como sua mãe e seu pai também. Mas quando abre a matraca, ai, ai, ai... Ele agora anda tão espertinho que já sabe repetir alguns sons que fazemos pra ele. E às vezes eu posso jurar que estamos estabelecendo uma franca conversa, com ritmo próprio, na qual um fala, o outro responde, e todos riem no final...

Mas o que eu queria mesmo era ter filmado meu pai tentando filmar uma conversa dele com os brinquedos. Pra variar, era só chegar a câmera perto dele, que ele silenciava e ficava sério. Vovô tentava de tudo, mas nada acontecia. Uma hora ele desistiu e desligou a câmera, no que Luca automaticamente desatou a tagarelar aquelas coisas que só ele entende... Meu pai, do alto dos seus 65 anos, olha pra mim como se ainda tivesse 5 e diz: “agora ele começa a falar! Vê se pode!”...  É, a ligação entre avós e netos é indiscutivelmente singular... Coisas que só entende quem está começando a vida e quem já passou da metade do caminho... Nós, aqui do meio do percurso, só vamos nos lembrar como é isso (afinal, já fomos bebês um dia, né?) mais adiante... Por ora, só me resta, tal como Luca e eles, babar um pouco nessa relação...

Quando Luca chegou em SP, tinha acabado de ir na consulta da pediatra e estava pesando 8,5 kg, distribuídos em 66 cm de pura gostosura... No final da viagem, meus pais insistiram e lá fomos nós fazer uma pesagem numa balança de farmárcia... qual não  foi minha surpresa em constatar que, prestes a completar 6 meses, meu guri continua ganhando peso, muito peso: Passou dos 9kg com folga! Tudo à base de muita amamentação em livre demanda, que tem me ajudado a recuperar meu peso original, bem como meu manequim. Viva o leitinho da mamãe!

Mas como eu já havia adiantado no mês passado sobre os sinais que Boluca vinha me dando de que estava pronto para começar a introdução dos alimentos sólidos, nesse mês a coisa se intensificou muito. Ele baba (mais e mais) quando vê a gente comendo, e se está no colo, já vai logo tentando tomar da nossa mão. Meu pai diz que é o cheiro, eu vejo mais como curiosidade, já que ele põe tudo na boca mesmo. No fim das contas são as duas coisas juntas, porque ele já entendeu que a gente não mama, mas põe outras coisas na boca, e engole. E ele tá querendo fazer a mesma coisa. A outra coisa que eu tenho percebido é que o gasto calórico dele aumentou, com a maior mobilidade que ele adquiriu: por isso solicita mais mamadas, para repor as energias. Mas, embora eu saiba que meu leite tem todos os nutrientes que ele precisa, eu sei também que ele é muito facilmente digerido, e Luca agora está precisando de mais sustância...

Em SP, depois dele virar um prato cheio de frutas que eu tinha preparado para o meu café da manhã, fiz alguns experimentos com ele, um foi dar uma cenoura crua na mão dele, que ele demorou um pouco de pegar,  mas depois parecia o Pernalonga... E a outra foi numa lanchonete, onde eu estava tomando um saudável suco de beterraba, cenoura e laranja, que ele quase derrubou da minha mão tentando pegar, quando me ocorreu de dar um pouco pra ele numa colherinha. Ele babou metade do conteúdo pra fora, mas curtiu. Minha mãe estava junto e também quis entrar na brincadeira, mas teve a idéia de dar só a espuma pra ele. E aí mininu foi ao delírio, quase engolindo a colherinha junto. Uma farra. Eu e Edu já temos conversado bastante sobre isso e também estamos muito animados com essa nova fase dele, achamos que será um barato vê-lo provando novos sabores e novas  texturas... Isso provavelmente povoará quase todas as experiencias do próximo mês... Oba!

A volta pra casa deixou saudades nos avós, mas era muito esperada por mim e por Edu, e quando aconteceu, foi um barato o reencontro entre os dois. Luca era só risadas pro papai, se aconchegou no colo dele ainda no aeroporto, uma delícia. Chegando em casa, estranhou um pouco o “novo” ambiente, choramingou, deixou o pai encanado achando que mininu estava estranhando ele, mas nossa primeira noite juntos depois da viagem foi muito boa, principalmente porque tinha mais alguém pra tentar fazer mininu dormir. Claro, Luca ainda mantém o padrão de sono adquirido em SP, e eu tive que levantar umas duas vezes pra dar de mamar, e o Edu me levou ele mais uma logo que amanheceu. Mas aos poucos vamos entrando novamente nos eixos da vida familiar, que ficou ainda mais gostosa depois do reencontro, pela confirmação e certeza do acerto de nossas escolhas.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Primeiros vícios

Nosso personagem começou o quinto mês dormindo três noites inteiras e tirando muitas sonequinhas ao longo do dia. Rendeu a mãe e o pai, que estavam com as olheiras batendo no chão... Infelizmente, a nossa alegria durou pouco e, apesar do sono não estar tão interrompido quanto no começo do mês passado, Luca tem dia que nos dá um certo trabalho pra dormir... Morto de cansado, coçando os olhos e a orelha, puxando o próprio cabelo, querendo qualquer coisa pra sugar, e nada de fechar o olho... uma tortura pra ele e pra mim, que não aguento ver o bichinho se contorcendo em reclamações...

Mas nem tudo são dificuldades e, outro dia, depois de um sono bem esticado ele acordou no meio da madrugada todo serelepe e, depois de uma bela mamada, nada do sono fisgá-lo... Fiquei um pouco com ele na cadeira de balanço, fazendo cafuné, e nada... quando fui dar o outro peito, o leite começou a voltar e eu vi que não me restava outra opção além de tentar fazê-lo dormir no berço... O pai estava acometido com uma alergia no olho e, por precaução, ficou longe do neném por alguns dias. Até então, só com Edu é que Luca topava dormir no berço. Comigo não era outra coisa que não reclamações.

Como eu sou brasileira e não desisto nunca, lá fui. Botei mininu no berço, sentei no banquinho que fica do lado justamente para essas horas e lá fiquei, munida de toda a paciência do mundo, esperando ele se render... vira prum lado, vira pro outro, levanta as pernas, pratica um pouco de nenenzês... cheira um bonequinho, cheira o travesseiro, boceja... cubro-o, ponho a mão na sua barriga e começo a balançá-lo. O guri cata meu braço e segura, e vai quietando, quietando... até que fecha o olho e dorme... Viva!!! Yes, we can! Tudo bem que minha alegria durou pouco, porque ele acordou uma hora depois inacreditavelmente com fome, mas foi tão bom descobrir que meu pequeno pode sim, dormir com a mamãe, sem o peitinho da mamãe...

Bem, no mais Boluca anda um guri cada dia mais esperto. Já entende quando o chamamos pelo nome, e se vira em nossa direção. Emite sons cada vez mais variados, gargalha com algumas brincadeiras e começou a sentir as primeiras cócegas, dando risada delas. E descobriu seu primeiro vício: virar de bruços tão logo se veja em uma superfície plana (às vezes a compulsão é tão forte, que sentado no nosso colo ele tenta realizar a manobra...). Tem dias que até dormindo o menino pende de um lado e de outro, e não raro quando vou pegá-lo no berço, ele já girou uns 200 graus... Mas nem tudo tem graça nessa fase: outro dia, no trocador, balançando de um lado pro outro, Luca escorregou e quase se esborracha no chão... eu é que o peguei já em movimento descendente... coração na mão, mas mininu nem se abalou.

Enfim, percalços à parte, fato é que, de barriga pra baixo, já não precisa de ajuda com os bracinhos, que já sabe como tirar debaixo do corpo, e consegue virar para os dois lados. Outro dia, em plena madrugada, ouvi-o acordando conversando com seus amigos de berço, e quando olhei no relógio vi que era hora da mamada... Levantei, quando chego no quarto, lá está o gurizinho, com o bumbum empinado, brincando de superman... Desvirar-se é um processo mais difícil. Ele já fez algumas vezes, mas na maioria do tempo, quando ele cansa da posição, logo começa a reclamação.

Ele também já consegue se arrastar um pouco pelo tapetinho, pra frente e pra trás, e já faz movimentos conscientes em busca de objetos que despertam seu interesse, sejam os bichinhos coloridos que ficam à sua disposição, seja o celular, o controle remoto, o computador, as almofadas do sofá e por aí vai... O cuidado está sendo redobrado, e alguns brinquedos já entraram na lista de proibidos: como ele coloca tudo na boca e começa a morder, chupar e sugar loucamente, às vezes pode ser machucar. Outro dia mesmo a gengiva chega sangrou com um desses brinquedos mais duros... Pobre do pai, que estava sozinho em casa com o bichinho. Quando eu cheguei, estavam os dois com cara de assustado, e Edu foi logo me passando o pequeno, que já não chorava, mas estava doido por um peitinho pra se confortar...

Esse mês também foi de estréia na piscina, e a farra foi boa. O guri não demonstrou medo nenhum da água, mesmo quando sua mãe quase deu-lhe um caldo – sem querer, claro... Mininu adorou aquele ambiente parecido com a barriga, só que com muito mais espaço para bater perninhas e bracinhos... Só não curtiu muito quando as crianças maiores faziam bagunça demais, espirrando um monte de água nele. Mas nada de traumas, Luca leva jeito pra lambari.

Se o primeiro vício foi virar, o segundo é sentar. Essa foi a grande novidade do mês, a capacidade de ficar sentado sem apoio, por vários minutos. Luca já vinha dando mostras de impaciência quando o colocávamos deitado, em qualquer lugar que fosse. Comecei, nessas horas, a sentá-lo e segurá-lo, e ele sempre se acalmava. Agora, quando o colocamos sentado, ele já consegue se sustentar, e até olha pra cima quando o chamamos, ficando com a postura cada dia mais ereta. Às vezes ele se empolga demais e, num movimento mais brusco, tum! cai de costas, ou de frente, hehehe... Se está na nossa cama ou no berço, nada com que se preocupar, mas no chão, no tapetinho, todo cuidado é pouco... Outro dia abriu o berreiro porque bateu a testa na comoda onde fica o trocador, enquanto eu o penteava sentado... Eu tava segurando, claro, mas mininu fez uma força pra frente tão  grande, que não consegui segurar e lá foi ele. Mas a fixação com a nova posição é tanta que ele fica fazendo abdominal, numa tentativa de se levantar sozinho: de frente, quando está no carrinho, ou semi deitado, ou de lado, quando está deitado no tapetinho.

Sentar-se sem apoio é um dos requisitos para começar a comer alimentos sólidos, já me disseram outras mães, a pediatra e as leituras que faço por aí... O outro é efetivamente se interessar pela comida dos adultos. Ao que parece, Luca puxou da mãe e do pai o gosto pela comida e não pode ver a gente comendo que para o que está fazendo para olhar, na maior curiosidade, o que tanto a gente põe na boca... Já por duas vezes ele tentou tomar uma fruta da minha mão até que não resisti e satisfiz sua curiosidade. Comendo uma mexerica, tirei o caroço de um dos gomos e aproximei da boca dele... Mininu começou a chupar aquilo com gosto, e quando tirava de perto, me olhava com uma cara de “por que parou, parou por que?”... E anda cada dia mais ousado: outro dia Edu tava tomando sorvete, com Luca no colo, e não é que mininu mete as patinhas no pote e abre o bocão, como quem diz “eu quero, eu quero!”? Dias depois, descobri que quem dá mole com o sorvete é o pai, pois Letícia, sua filha mais velha, também já tentou fazer o mesmo quando era bebê. Tudo devidamente registrado e arquivado pela vovó Elaine.

Bem, com os seis meses se aproximando, uma nova fase vai se inaugurar na vida dele. Não dependerá só de mim para se alimentar, e experimentará um novo mundo de cores e sabores na vida. Não sou daquelas que acha que a transição para a alimentação complementar é uma ciência exata, que precisa começar no seu 180º dia de vida. Pelo contrário, sempre achei que seria necessário observar os sinais dele, e ele já está me dando. Com isso, minha meta de completar 6 meses de amamentação exclusiva está cada dia mais perto de ser cumprida, e com sucesso, afinal Luca só ganhou peso durante todo o tempo, estando sempre – um pouco – acima da curva de crescimento. Assim, quando ele completar seis meses, vamos fazer a coisa sem pressa, primeiro despertando nele a curiosidade, o interesse e o prazer em se alimentar de outra coisa que não de leite. E até que eu efetivamente volte ao trabalho e ele vá pra creche, continuarei fazendo do meu leite sua fonte principal de alimento. Aos poucos, ele irá variando seu cardápio e buscando o que precisa para continuar crescendo forte e saudável de outras fontes. E continuará com o leitinho pelo menos até um ano, quando pretendo começar o desmame do meu bezerrinho.

Com isso, ninguém sai perdendo, nem ele, que continua contando com todos os nutrientes que só o leite materno proporciona, nem eu, que amo amamentá-lo com algo que meu corpo por si só dá conta de produzir, vendo aqueles olhinhos me olharem, aquela boquinha vazando leite e aquele sorrisinho banguela satisfeito depois de encher a pancinha...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Enquanto o Seu Sono não vem...

Nosso protagonista entrou o mês com quase 7 kg de pura gostosura, com coxas que dá vontade de comer... Desde que nasceu, Luca praticamente dobrou seu peso e cresceu quase 10 cm, só com o leitinho da mamãe. Pra carregá-lo pra lá e pra cá, só com muita malhação, já que no sling anda um pouco difícil de ficar, porque o tempo não está ajudando e Boluca é pra lá de calorento, acho que mais até do que o pai...

A mãe de primeira viagem aqui, com medo da ventania no Parque da Cidade nos dias de ginástica, outro dia quase que frita o garoto, agasalhando-o como se fossem os dias mais frios de julho... Claro que o menino chiou, e não foi baixo, mas eu nem me toquei. Foi preciso as outras mães cantarem a bola até eu me convencer que precisava mudar o guarda roupa do guri... Nem a gritaria no carro, na hora de voltar pra casa, tinha me feito perceber que alguma coisa podia estar errada com as roupas dele... Agora, todo dia procuro uma sombra bem grande pra parar o carro e não deixar a cadeirinha dele fervendo, e logo que chegamos em casa, largo ele só de fralda brincando enquanto tomo um banho. E, claro, como ele já perdeu mais da metade das roupas que ganhamos e compramos para o seu nascimento, saímos pra comprar novas peças... as mais baratas, e em pouca quantidade, porque pra perder não demora muito...

Do terceiro para o quarto mês, muita coisa mudou. Já tinham me dito que esse era um momento particularmente intenso, mas só vivendo para saber. Luca entrou numa fase desafiadora justamente nesse período. Seu HD anda processando tudo em altíssima velocidade, e a grande mudança do período foi começar a conseguir agarrar o que antes só observava, e a se dar conta do mundo e das pessoas à sua volta.
Ele anda mais interessado em olhar pra gente, e interrompe com facilidade a mamada só pra ficar me encarando, silencioso e sério... aí abre o sorrisão banguela e eu ganho o dia... No espelho, ele começa a dar sinais de interesse na própria imagem também, e já deu até um sorrisinho, bem tímido. Outra novidade foi ele se interessar por bebês. A gente sempre vai na pracinha aqui do lado do prédio e ele nunca nem tchum pras outras crianças... Outro dia, com o filho de 9 meses da vizinha, foi sorriso pra lá, conversa pra cá, uma farra... espontâneo e imprevisível... Assim são os bebês, estou aprendendo mais a cada dia...

Com tanta informação na cabeça do bichinho, o resultado foi um mês pra lá de agitado, de muito choro e demanda por peito, colo e atenção, e noites com muitas interrupções. A coisa melhorou ao longo do mês, mas as coisas mudaram bastante por aqui... Pra piorar, o clima desértico de Brasília nessa época deixa qualquer um de nós com a garganta e o nariz ‘arranhados’. Ou seja, com mais sede. Luca andava acordando todo incomodado, quase como se estivesse com pigarro... Tudo bem que no finzinho do mês a chuva caiu, mas ainda é pouco pra tantos meses de seca... Aí já viu, junta tudo e quem paga o pato é o sono, meu e dele, que não andou lá essas maravilhas...

Aliás, foi o contrário de maravilha. Se até o terceiro mês ele vinha dormindo cerca de 8 horas seguidas, num piscar de olhos, isso virou exceção... Nem preciso dizer que eu e Eduardo andamos um tanto acabados com essas maratonas notívagas do nosso personagem. Acordando muito pra mamar, mas também pra ganhar um dengo... Eu pedi penico algumas vezes, que se não é o pai para segurar a onda, surtaríamos mãe e filho. Bom, basta dizer que esse mês foi a primeira vez que senti vontade de acender um cigarro desde que engravidei – e não foi só uma vez. A idéia que sempre ouvi falar de que o aniversário de um ano é uma comemoração da mãe, e não do bebê, nunca fez tanto sentido pra mim... Sobreviver a ele é uma prova de fogo... e ainda nem chegamos na metade, hein...

Outra coisa que começou a fazer sentido esse mês pra mim foi a tal história dos picos de crescimento e desenvolvimento. Quando eu estava grávida, absorvi muita informação sobre a gestação e o parto, mas também busquei entender algumas coisas sobre recém nascidos. Nada que se compare com a prática, mas uma das coisas que eu li, e estou constatando ser a mais pura verdade, é que os bebês crescem e se desenvolvem aos ‘saltos’, com períodos em que o cérebro trabalha mais, e adquirem novas habilidades, e épocas em que a demanda por leite é mais intensa, resultando num crescimento e num ganho de peso repentino. Saltinho looongo esse... e dizem que vem mais por aí.

Com ou sem saltos, Luca vem explorando como nunca seu mundão novo, e percebendo que pode fazer várias coisas que não sabia antes. Desde o primeiro mês, sempre achei que Luca era mais ‘durinho’ que outros bebês de sua idade, o que era confirmado pelos comentários de outras mães. Deixei de carregá-lo deitado logo que ele completou um mês e atualmente, ele fica no colo todo retinho, e a cabeça já não fica pendendo prum lado e pro outro. Quando damos os dedos pra ele segurar, ele dá impulso e se senta. Se o colocamos na almofada de amamentação, com um apoio nas costas, ele já consegue dar um impulso pra frente e ficar ‘sentado’, ou tentando agarrar algum objeto que esteja por perto. Ainda vai demorar um tempo pra esse movimento dele se completar, e ele sentar sem nenhum apoio, mas é um barato ver a ousadia dele...

O garotinho também anda achando que pode ir pra onde quiser agora. Quando está no trocador, se não ficamos de olho, lá está ele rolando de um lado pro outro, tentando se esborrachar no chão... Aí ele aprendeu que pode dar impulso com o pé usando a parede, não sei exatamente pra que, mas ai de mim se não fico de olho... No trocador também ele tem curtido fazer cocô e xixi, particularmente quando é o pai que se propõe a trocar a fralda. Ainda estamos tentando descobrir porque dessa fixação, e se tem alguma relação com o fato de que as golfadas e os vômitos também sempre são em maior quantidade quando está no colo do Edu...

A busca por se virar, porém, seguiu incansável ao longo de todo o mês. Seja no trocador, no tapetinho, e até mesmo no berço é um barato o corpo dele pendendo pro lado tentando alcançar algum objeto ou então virar de bruços. Deitado no tapete, brincando, ele consegue girar uns trocentos graus em questão de minutos, enquanto tenta se virar, chegando a sair da área do tapete se a gente não fica de olho. E eis que nos últimos dias desse mês, ele completa o movimento sem ninguém ver? Estamos eu e Eduardo sentados no sofá conversando e ele brincando no tapete. Quando eu espicho o corpo pra dar uma olhada, o guri tá lá, de bruços, quietinho, sem chorar, sem reclamar... Fiquei com uma raiva, mas eu já sabia que era questão de tempo, pois o menino tava parecendo um contorcionista... agora que começou, também não para mais.

Então, apesar do nosso cansaço, a gente se diverte com a alegria dele com as pequenas coisas que vão acontecendo a cada dia... como a descoberta de que o peitinho e suas mãos não são as únicas coisas que podem ser levadas à boca... um dia é a borboleta, outro o leão, outro a girafa... de longe, o preferido de todos é o polvo, talvez porque suas pernas sejam fáceis de agarrar, e o tecido deve pegar bem nas suas papilas gustativas, por não ter pelinhos... rsrsr... Ah, sim,  não são exatamente só os brinquedinhos coloridos que compramos pra ele que interessam mais, mas sim o computador, o celular, o controle da TV, uma fruta que a gente leve à boca... ou seja, tudo o que papai e mamãe pegam, ele quer pegar também... E, cada dia que passa, o movimento de buscar com a mão vai ficando mais consciente, no melhor estilo “me dá!”....

A exploração dos pés também seguiu firme e forte esse mês. Ele não pode ver um pé, seja o dele, desenhado ou de brinquedo, que fica fixo na idéia de pegá-lo. E algumas vezes já consegue, quando está sentado, ou no colo da gente. E fica lá, babando o dedão todo dele, parece que tá chupando um picolé... Só não entendeu ainda que pra por na boca é mais fácil se ele estiver deitado. Mas como tudo na vida dele, é questão de tempo.

Ah sim, nosso pequeno começou a mostrar suas preferências, e tem horas que não curte de jeito nenhum a posição de decúbito dorsal (o  famoso deitado de barriga pra cima, rsrsr)... Então eu gosto de colocá-lo sobre a minha barriga, pra ficar brincando com seus pés, enquanto ele dá risada dessa nova vista. Aí, de vez em quando, ele dá um impulso pra frente e fica de bruços. Se é em cima de mim, já sai procurando o peitinho, claro...

Bom, e acho que tantas atividades novas devem dar muita fome, porque o bichinho anda mamando como nunca... Além de estar sugando com mais força, e uma quantidade maior de leite por vez, tem acordado mais vezes querendo mamar (a gente até tenta enganar com a chupeta, mas não tem conversa). Outra noite, botei ele na nossa cama e ele passou a noite inteira pregado no peito... um verdadeiro piercing de mamilo. Ainda bem que meu corpo tem correspondido à demanda e o leite não  tem faltado.

As aulas de nenenzês seguem firme e forte, com Luca inventando novos sons a cada dia, praticando-os repetidamente. A onda agora é ensina-lo a mandar beijo. Ele adora quando ouve o som estalado, e até já  tentou praticar um pouco, mas ainda  tá fraco. Com estranhos ele também ainda fica um pouco tímido, e se solta mesmo com o papai e a mamãe, que suam a camisa para aprender o novo idioma... E tapem os ouvidos, porque nosso protagonista agora descobriu que, além de garagalhar, pode gritar. E que gritar não precisa ser necessariamente uma reclamação, pode ser pra mostrar alegria. E, quando o papai liga o rock’n roll no iPod, o menininho fica loooouco de tanta excitação...

As aulas de ginástica também seguem sem vacilar e, se a pança de Boluca aumenta a cada dia, a da mamãe aqui começa a dar tímidos sinais de que vai se recolher... Apesar das noites insones, esse mês consegui até passar uma manhã no salão, fazendo banho e tosa completos, coisa que fiz pela última vez ainda com a pança proeminente... É, quem me conhece sabe que não sou muito vaidosa, nem frequento salão toda semana, mas imaginem minha situação depois de 4 meses sem um tapa no visual... Luca ficou numa boa com o papai, sem chorar nem reclamar (muito). Claro que quando me viu só queria saber de quê, de quê, de quê? Peitinho, é claro...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Lições de nenenzês


O terceiro mês de Luca trouxe várias novidades, mais do que o primeiro e segundo juntos. É bacana perceber como ele interage mais e presta mais atenção ao que acontece à sua volta. E cada  vez que algo lhe chama a atenção, lá vai a mão pra boca... Parece que é o jeito que ele tem de demonstrar que está experimentando algo novo, rsrsr... Bom, tudo bem que de vez em quando é só fome mesmo.

Nesse mês, investimos na idéia de que a rotina faz muito bem aos bebês, e a coisa tem dado certo. Depois do pacto do mês anterior para a ginástica da mamãe, passamos a ter horários mais ou menos regulares para acordar, tomar banho e brincar no tapetinho de atividades, aquisição mais que bem sucedida para essa fase, na qual qualquer estímulo que tenha cores ou sons deixa o bichinho vidrado.

Então, após a mamada matinal, fazemos exercícios, seja no parque, seja a  caminhada aqui por perto de casa, e sempre rola uma soneca no carrinho, uma delícia. Ao retornar, ele fica brincando no dito tapetinho enquanto eu tomo um banho e faço um lanchinho para repor as energias – registro que nem sempre essa última parte eu consigo fazer sem ele no colo... e mamando.

E de brincadeira em brincadeira, Luca está quase se virando, para tentar alcançar alguns objetos que estão no tal tapete. E anda ficando muito bravo porque ainda não conseguiu completar o movimento... Mas se assusta se eu o faço virar. Quase todo dia eu o coloco de bruços para fortalecer a musculatura das costas e o avanço é impressionante. Nos últimos dias ele parece um pavão, de tanto que levanta a cabeça quando está de barriguinha pra baixo... E de vez em quando ele já se desvira sozinho, não sem tomar um bom susto por causa disso também, rsrsr... mas tudo bem, porque se ele chora, sempre tem o colinho da mamãe bem rapidinho para acalmá-lo...

Ele já anda tentando pegar alguns objetos, interage com os bichinhos, mas reclama muito porque suas mãos ainda não obedecem suas vontades... mas fez avanços esse mês, e alguns objetos, por vezes, já chegam até a boca. Os pés foram a grande descoberta do mês: passamos algumas tarde e outras madrugadas tentando entender o que é aquilo que parece uma mão, mas que fica mais longe e ele ainda não consegue por na boca... 

Nosso personagem agora também é professor: ministra, diariamente, aulas de nenenzês, através de sons, grunhidos, tons agudos e muitos outros. Vamos tentando acompanhar e, quando acertamos a lição, Luca responde dando risada, fazendo barulhinhos, balançando o corpo todo e dando uns impulsos pra trás que ai de quem não estiver atento... Ah sim, ele já não está mais gostando dessa idéia de ficar o tempo todo deitado. Até no tapetinho o prazo de validade tem diminuído. Aí, se colocamos várias almofadas, ou um encosto na almofada de amamentação, ele já fica sentadinho, muito atento olhando slides de fotos no computador ou então assistindo Discovery Kids e os canais de notícias, seus preferidos...

Quando vai chegando perto do almoço, Luca toma banho, de balde, se preparando para a soneca da tarde. O tempo dessa soneca varia muito, e tem semana que dura umas boas 3 horas, e aí ele acorda, mama e descemos pra um solzinho... Outros dias, dura uma hora, ele mama e dorme na sequencia, numa soneca meio picada, e outros dias, dorme hora nenhuma, chegando ao limite da irritação no fim do dia porque não pregou o olho... Definitivamente, Bolota puxou à mãe...

No que tange ao amor pelo banho, a coisa não foi inata, não. Luca aprendeu a gostar de entrar na banheira mesmo só esse mês, pois no começo ele não curtia muito. Assustava bastante, talvez pela insegurança dos pais inexperientes em segurar o menino todo escorregadio – no primeiro mês eram os dois pra dar banho nele!.... E a gente não forçava muito, até porque no começo ele só queria saber de mamar e dormir. Então fomos deixando ele indicar pra gente a necessidade dele. Mas antes que nos acusem de estarmos criando um cascãozinho, quero deixar claro que ele nunca passou mais de dois dias sem ver a água na banheira... e entrar nela...

Hoje em dia, além do banho de balde, ele toma outro, mais à noite, na banheira, pra ir dormir limpinho e fresquinho. Exceto quando está com muita fome, muito sono ou algum incômodo muito forte, ele se diverte molhando o cabelo, o rostinho, a barriguinha e as dobrinhas, que se multiplicam a cada dia... tudo acompanhado de muita conversa no melhor nenenzês que eu aprendi a falar até agora...

Depois de cada banho, Luca tem direito a um vale-massagem, que ele utiliza quando está com paciência pra tal. Sim, porque tem dia que a agonia pelo peito é tanta que eu já agradeço se consigo vesti-lo antes dele abrir o berreiro... Mas quando rola, é uma delícia, pra ele e pra mim, que tenho uma ótima desculpa pra ficar pegando naquele corpinho todo gordinho e gostosinho...

Bem, não me perguntem como, mas de uma hora pra outra parece que Boluca virou um polvo, pois adquiriu muito mais braços e pernas do que tinha quando saiu de dentro de mim... mexe todos ao mesmo tempo e é uma dificuldade pra conseguir limpá-lo quando vamos trocar a fralda e, pior, colocar a fralda limpa, porque tem vezes que o guri ‘trava’ as pernas e é impossível fechar a dita cuja desse jeito... Ele também costuma entrar em modo polvo quando está mamando, e é uma agitação tão grande – com direito a gritinhos mais ou menos irados, a depender do momento – que o bichinho nem consegue sugar o peito direito. Quando isso acontece, das duas uma: ou precisamos de uma pausa para o arrotinho, ou o sono pegou de  verdade... geralmente são as duas coisas juntas...

Ao fim do dia, os encontros com o papai quando ele chega do trabalho são momentos de excitação pura. Geralmente Edu chega no fim do banho ou já na hora da mamada antes de dormir, e aí quando ele se senta ao meu lado no sofá, Boluca não sabe se suga o peito ou se torce o pescoço pra ver o pai. Nessa horas, a gente sempre estica um pouco a hora de dormir, para eles poderem se curtir. Só não rola quando o cansaço tá muito grande... E quando Edu viaja? Ele não parece perceber a ausência do pai no dia-a-dia, mas o reencontro é marcante,  seja a hora do dia ou da noite que acontecer. Ainda que às vezes Eduardo não acredite, eu que passo o dia todo com ele, me impressiono com o vínculo existente entre eles.

Bem, mas apesar da rotina que temos tentado seguir mais ou menos à risca, sempre tem os imprevistos. Esse mês ele bagunçou o coreto algumas vezes, ficando sem dormir duas noites seguidas, história que eu contei em “Uma rave sem aviso prévio”. Depois passou algumas noites acordando duas ou mais vezes de madrugada pra mamar – coisa que só tinha acontecido durante as primeiras semanas -, deixando a mamãe aqui profundamente irritada e sem paciência, não com o neném, claro, mas com a privação de sono, que me deixa desnorteada mesmo... Mas já passou e esse mês ele tem dormido super bem, média de 8 horas seguidas. Outro dia nos agraciou com uma noite completa: foi dormir de noite e só acordou de dia.

No mais, Luca tem saído bastante para conhecer o mundo, quase sempre agarradinho na mamãe, dentro do sling. Acho que essa deve ser uma invenção quase tão antiga quanto ter filhos e nós, mulheres ocidentais, só estamos adotando-a pra valer agora. Além de ser uma delícia ficar coladinha no seu bebê, o sling nos deixa com as mãos livres para fazer outras coisas. Já cansei de andar com ele pendurado dentro de casa, quando ele estava nos dias mais difíceis,  e fazia mil coisas com ele amarrado em mim, inclusive comer.

Tal qual o banho, o gosto pelo sling não é inato (apesar dele ficar quase na mesma posição de quando estava na barriga), e foi preciso ir introduzindo o artefato aos poucos... Primeiro quando estava dormindo, depois passeando dentro de casa mesmo, até ganharmos, juntos, o mundo. Hoje ele adora, exceto quando está com fome, porque aí o cheiro do leite deve ser uma tortura pro bichinho... ou quando está com sono, porque com sono ele não gosta de nada mesmo... Já falei que ele é igual a mamãe nesse quesito? Enfim, e o carrinho mesmo só usamos quando vamos comer fora, para ele ter onde ficar enquanto a gente come – já que ainda não sabe sentar – e durante a ginástica da mamãe que, diga-se de passagem vira uma verdadeira corrida com obstáculos tamanha a falta de qualidade de nossas calçadas...

Nessas andanças, Boluca já conheceu um bocado de tios e tias e até ao cinema já fomos juntos, assistir Os Smurfs, no projeto Cinematerna, do Cinemark, que rola em várias cidades do Brasil. e não é que ele prestou a maior atenção no filme? Não todo, é claro, mas me surpreendeu. Eu é que achei trampo demais ir só com ele, e acho que vou de novo se estiver muito a fim de ver o filme da sessão, ou se Edu estiver junto.

De toda forma, é muito engraçado ver como em dias assim, de lugares e pessoas novas, ele capota depois que chega em casa. Deve ser o jeito dele de processar tanta novidade. Ele ainda não interage muito, mas salta aos olhos de todos como ele é um menino compenetrado, que  fica encarando tudo que é novo. Olhos esbugalhados, bicão e, de vez em quando, um sorriso.

Bom, por fim, esse terceiro mês trouxe também a capacidade de imitar alguns barulhos que a gente faz pra ele e, o mais gostoso, a primeira gargalhada... boquinha aberta e risonha, olhinhos fechados e muita excitação...  quando a gente ri junto, ele para e olha sério. Hahahaha... Com o fim do primeiro trimestre de vida, está vindo também a consciência de que não mora mais numa barriga... a transição não está sendo fácil e o remédio tem sido muito peito, muito colo e muita paciência, pra que a coisa flua bem e ele supere esse momento. Então nem preciso dizer que as reclamações também andam mais enfáticas e potentes. Boluca não economiza quando quer mostrar sua insatisfação com alguma coisa, dando os primeiros sinais de sua personalidade... Basta ser contrariado naquilo que estava esperando ou desejando que acontecesse, que a gritaria é certa. É... e para bom entendedor, meio grito é suficiente...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Primeiras peripécias

Outro dia recebi um email que achei um barato. A mãe, hiperativa como esta que vos escreve, se dedica a, uma vez por mês, registrar as principais ocorrências com seu pimpolho, um sorridente guri de 8 meses de idade. Eu, que sempre gostei de escrever e até criei um blog para registrar minhas impressões e sensações sobre a gravidez e maternidade, adorei, e resolvi copiar a idéia. Fico pensando que Luca poderá curtir esses relatos quando tiver idade para entender. Ou o contrário, vai odiar essa mãe bocão, que fica contando todos os micos dos seus primeiros meses de vida. Bem, mas vou correr o risco. Na pior das hipóteses, quando ele tiver idade pra entender, quem vai curtir lembrar desses dias serei eu...

Bem, o que acontece é que Luca está com quase três meses e vai ser difícil resgatar o que aconteceu até aqui de forma sistemática. Assim, esse primeiro texto tratará de relembrar um pouco do primeiro e do segundo mês e, a partir do próximo, farei a coisa mensalmente. Espero que ele deixe!

Eu já contei aqui que Luca nasceu em casa, mas acho que não mencionei que o primeiro mês foi passado praticamente inteiro dentro do apartamento. Eduardo tirou uma licença paternidade por conta própria – como é bom trabalhar para si mesmo! – e ficou os 30 primeiros dias de vida  de Luca lambendo a cria e cuidando da mamãe aqui, pra que ela pudesse comer bem pra ter bastante leite, e pudesse dormir quando o neném dormia.

Saímos pouquíssimas vezes, uma pra tomar vacina, outra pra resolver burocracias de licença-maternidade – afinal, eu tenho chefe – e umas outras duas, sempre muito rápidas. Nessas saídas, descobrimos que o carro era um ótimo sonífero para recém nascidos, pois era Luca entrar, pra não mais acordar. Não que ele tivesse problemas para dormir nesse começo, pelo contrário, era mamar e chapar, no carrinho, no berço, na nossa cama... infelizmente, quando foi chegando perto de completar um mês, tudo mudou, e a gente teve que descobrir alguns truques pra fazer o bebê capotar – e nos deixar dormir também...

Uma feliz descoberta do mês foi o livro da Laura Gutman – A maternidade e o encontro com a própria sombra -, excelente para lidar com os hormônios do puerpério e descobrir que sim, o neném sente tudo que a gente sente, o que nos obriga a assumir uma outra postura diante da vida se quisermos ter alguma tranquilidade. Porque o nervosismo, quando vem, chega em dobro, literalmente – o nosso e o deles. O segundo achado foi o Dr. Karpp, autor do livro “The happiest baby on the block”, no qual eu aprendi a enrolar Luca bem apertadinho no cueiro e a fazer “sshhh, sshhhh” no ouvido dele quando ele ameçava despertar, expedientes valiosíssimos adotados após cada mamada sonífera...

A outra descoberta é que eu não tinha parido um bebê humano, mas um bezerro, que não desgrudou do peito praticamente o mês inteiro. A mamãe aqui, determinada a amamentar exclusivamente por 6 meses, resolveu sublimar, e não foram poucas as vezes que o peito vertia leite e os olhos, lágrimas. Me convenci que só assim, me entregando a todos os sentimentos, bons e ruins que aparecessem, pra não secar o leite, e assim seguimos muito bem até hoje, obrigada. Os mamilos ficaram resistentes após contraírem um fungo, e hoje ele mama feliz da vida, me fazendo rir a cada vez que me olha com aquela boquinha vazando leite...

No mais, foi um mês sem muita rotina, apenas seguindo as orientações de Luca quanto aos horários de comer e dormir. Eduardo cozinhava enquanto eu dava de mamar e, quando ele dormia, a gente comia, e depois eu dormia. Quando ele não dormia, a gente se revezava na mesa pra comer e depois lá ia eu tentar fazer o guri dormir de novo.

Por fim, quando a coisa tava realmente bagunçada, lá pela terceira semana, e Luca não largava o peito e eu me sentia exausta, decidimos tentar uma chupetinha. Passamos a gravidez inteira demonizando a dita cuja, pra pagar a língua tão cedo... que raiva, mas íamos tentar com uma chupeta cheia de frescuras, pra não atrapalhar a amamentação, não dar problema no céu da boca etc., etc., etc... Fizemos uma rápida pesquisa e tenho certeza que  compramos o produto mais caro disponível. Trouxemos o artefato para  casa, faceiros e certos de que assim, ele sossegaria. Ferve água, esteriliza o objeto, pega o neném, põe no colo, oferece a chupeta e... Luca mostra para mamãe e papai uma habilidade inata: arremesso à distância. A gente é brasileiro e não desiste nunca, até hoje apelamos pra ela em momentos de desespero... mas acontece que Luca também é brasileiro... e foi aperfeiçoando-se na técnica de cuspe de chupeta à distância. E, no final das contas, acabou que ela nem foi tão necessária assim.

Pra fechar o mês, na primeira consulta com a pediatra, que já tinha sido escolhida no sexto mês de gravidez, saímos orgulhosos de constatar o que nossos olhos não nos deixavam com dúvidas: o leite materno é realmente poderoso, pois nosso filho havia ganhado mais de 1 kg e crescido 3 cm.

No segundo mês, eu me vi às voltas sozinha com um bebê em casa. Dar de mamar, trocar fralda, dar banho, por pra dormir, brincar – bom isso nem tanto, porque bebês nessa idade só querem saber de peito – e ainda comer e tomar banho pareciam coisas inconciliáveis. Pra piorar, Luca passou uma semana sem tirar uma sonequinha sequer à tarde, aumentando minha agonia. Mas até que nos viramos bem, pois de noite ele estava dormindo entre 6 e 8 horas seguidas. Pra mamar, bem, pra mamar ele nunca teve problema...

Na segunda semana, vovó Beth – minha mãe – chegou de São Paulo cheia de dengos para o primeiro netinho e de mimos para a mamãe aqui. A empatia entre os dois foi imediata e eu só fiquei observando como é que se dá uma canseira em um bebê... Luca voltou a dormir de tarde, e o melhor, continuou dormindo um monte de noite. Tem coisas que só a sua mãe faz pra você... Vovô João e tia Paula se juntaram à família Buscapé e o que se via era um bebê literalmente boquiaberto com tanta gente nova por perto...

Nesse mês, as saídas aumentaram, incluindo banhos de sol de manhã ou no fim da tarde, e alguns almoços fora de casa, que mamãe também precisa olhar um pouco o mundo, pra lembrar que ele existe...

O segundo mês de Luca no mundo foi também o mês do aniversário da mamãe. Bem, 31 anos não tem o mesmo glamour que os 30, e com um bebê no colo, minha maior comemoração, eu não estava esperando muito coisa... Tivemos visitas nesse dia, mas o principal acontecimento foi a deferência de Luca com sua progenitora, presenteando-a com um jato amarelo de cocô que se espalhou por todo o quarto e por pouco não acerta o papai, que estava ingenuamente trocando uma fralda. Vovô João, por SMS,  deu a sentença: fica tranquila que é só o primeiro. Bem, ainda não fomos agraciados novamente, mas o episódio serviu pra ficarmos mais espertos quando ele resolve fazer força...

Esse mês foi particularmente interessante porque nosso protagonista começou a esboçar sorrisos, e também a interagir mais, emitindo sons diversos, e por vezes dando a todos a impressão de que iria falar! Hahahaha... Os sorrisos eram puro interesse, pois ele só fazia isso quando sabia que o pegaríamos no colo ou daríamos de mamar. E ai de quem não entendesse o recado: seria alvo de suas potentes cordas vocais! Engordando a cada dia, ganhou um apelido: Bolota. E, para fazer frente ao ganho de peso, que já passou dos 6kg, exercícios diários para fortalecer a musculatura do pescoço. Até que ele não se queixa de ficar de bruços, mas é bom registrar que a paciência dele nessa posição ainda é pouca...

A retomada dos exercícios físicos pela mamãe, para recuperar a forma perdida com a gravidez – ou então ganhar uma nova, desde que o manequim volte a ser o mesmo - foi outra novidade. Descobrimos uma ginástica super legal, que rola no Parque da Cidade, aqui em Brasília, que incorpora os bebês nos exercícios. A gente leva eles no carrinho, sai pra fazer caminhada, corrida, trabalhando as partes do corpo onde oestrago é maior... No começo Luca estranhou um pouco ter que ficar no carrinho tanto tempo seguido, e chorou bastante, não deixando a mamãe aqui fazer a aula completa. Mas já no terceiro dia entramos num acordo: eu deixava ele de barriga  cheia antes da aula e ele topava ficar no carrinho por uma horinha, deixando a mamãe se exercitar.

A parceria deu tão certo que passamos a sair todos os dias pela manhã pra passear: três dias na ginástica, dois dias uma bela caminhada nos arredores de casa. E, na volta, ele ainda me deixa tomar banho e comer uma frutinha para repor as energias antes da mamada pós-exercício... Que filhote tão bonzinho que eu tenho, rsrsrs...